Quando Jesus me pediu para renunciar o que não me permitia aprofundar em meu propósito (Parte 2/2)

22.2.18



Jesus sabia quem eu era e mesmo assim queria que eu fizesse tudo aquilo, queria que eu saísse retirando de mim tudo que me pesava e que não me deixava afundar, mas por anos eu usei o medo como boia, agora Ele queria que eu largasse ele pelo mar porque com o medo eu não afundaria mais, eu ficaria eternamente ali naquele nível. E que minha timidez e vergonha de falar sobre Ele pessoalmente as pessoas e até mesmo a conhecidos meus que sofriam, eu tinha que deixar. Que eu precisava ir até meus amigos que não queriam Deus e apresenta-Lo do jeito certo. Ele queria que eu abrisse mão de mim para segurar em sua mão e nadar para mais fundo. Eu passei dias, semanas, meses ali naquele nível, pois eu disse a Ele que era impossível eu fazer o que Ele queria que eu fizesse, que eu não poderia sair das sombras e me tornar notável, que eu não queria ser vista, não queria que eles soubessem a dor que eu levava e que me mudou.

Eu continuei ali e achei que Jesus tinha se dado por satisfeito, que não iria mais tocar no assunto, foi então que senti um desconforto, nada parecia mais me saciar, nada parecia mais me agradar. Os sonhos que eu tinha de estudar e chegar ao doutorado haviam sumido, e eu não queria mais me estabilizar num trabalho para o resto da vida, eu não queria mais provar meu valor através de um relacionamento precipitado, e me senti ser desconstruída. E você conhece a dor de ser feita em pedaços? Sabe como é pegar tudo que você deu valor a vida inteira e de uma hora para outra aquilo não valer mais nada? Parecia que nada mais importava, eu queria mais de Deus, mais de Jesus, mais do Espirito Santo. Eu não queria mais ser reconhecida por grandes feitos, mas que Deus fosse conhecido por seus grandes feitos através de mim, da minha pequenez e humildade. E foi absurda a dor que senti quando os lugares que eu ia não me satisfaziam. Eu só queria afundar, mas tinha medo do que as pessoas pensariam de mim caso soubessem que eu estava disposta a abrir mão de tudo por Jesus.

Nunca tive tanto medo quanto naquele dia silencioso quando eu me encontrava encolhida na minha cama e fiz dela um mar de lágrimas do tanto que chorei. Eu sabia que ao sair daquele quarto nada mais poderia ser igual, pois eu havia perdido o ânimo de viver a minha vida e queria viver de acordo com os propósitos de Deus. Então eu me empurrei para baixo na água e disse a Jesus que iria atrás Dele, mas eu não descia, meu corpo voltava para cima, pois eu não havia jogado nada fora, tudo que Ele me pediu para renunciar ainda estava ali. E Jesus voltou para mim e disse que iria doer sim. Que eu sairia da minha zona de conforto e que eu sofreria, porque se eu seguisse o Jesus que sofreu rejeição e foi zombado, eu poderia sofrer o mesmo. Que se Ele foi morto eu também tinha o mesmo risco, que nada seria fácil, mas Ele prometeu que estaria comigo e que isso fazia toda a diferença.

Meu coração bateu tão rápido e o medo me paralisou de novo. Tudo de ruim voltou e não quis mais ir com Ele, pois não estava me sentindo segura, não queria sofrer e nem que minha família sofresse, mas Ele disse que eu precisava perder minha vida para ganhar algo além com Ele. Eu me chamei de covarde e comecei a chorar desesperadamente, aumentando assim o nível da água do mar. Ele me abraçou e disse que cuidaria de mim, mas que não poderia me dar certezas do que viria a acontecer, e que eu precisava ter fé e ir com Ele. Tive Ele disse que me amava e que não suportaria ficar no fundo sem mim, assim eu tive vinte segundos de uma coragem gigantesca que me invadiu e então eu segurei em sua mão pedindo para Ele me puxar para baixo.

Conforme eu afundava meus pulmões doíam, meus ouvidos estralavam, meus olhos ardiam. Eu ia afundando e Jesus ia arrancando de mim o que me pesava, comecei a ficar mais leve e a afundar mais rapidamente com Ele. Então a luz se tornou uma nuvem espessa que ia se diluindo na água e eu senti falta da vida que eu tinha, quando tudo era mais fácil antes de eu conhecer a Jesus, mas Ele virou para mim e sorriu, aí me arrependi do que pensei, porém sem eu pedir perdão Ele abriu a boca e disse que me perdoava. Senti meus cabelos voando acima da minha cabeça e meu corpo sendo sugado. Tudo então se tornou escuro e por uns segundos eu gritei, pois Jesus havia me deixado ali sozinha no meio do nada. Era meu teste de fé, para saber se eu confiaria Nele mesmo naquelas condições horríveis. E sabe o que houve? Eu louvei. Fiquei O adorando em espirito e em verdade, então logo a escuridão passou e algo novo surgiu.

Algo brilhante foi aparecendo e comecei a ver ruas de ouro e cristal, e quando percebi não havia mais água, não havia mais mar, era apenas eu e Jesus. Ele olhou em volta e me perguntou se a minha dor temporária valeria a pena para eu estar ali, junto Dele, na eternidade. Eu fiquei sem reação e logo depois tudo sumiu. Estava eu de novo na água, no escuro, e Ele apareceu. Eu senti uma tristeza profunda, pois eu havia voltado para casa, meu verdadeiro lar, e Ele me arrancou de lá e me jogou ao mar de novo. Foi aí que Jesus me disse que apenas queria me mostrar um pouco da eternidade para eu ter certeza e segurança de que valeria a pena ser fiel, de que toda dor, constrangimento, humilhação, vergonha, qualquer coisa, qualquer sentimento, eram temporários se comparados com o tamanho, peso e profundidade do seu amor por toda a eternidade.

Minha visão então embaçou, minha voz se perdeu em um nó na garganta e consegui apenas balançar a cabeça dizendo que sim, e falando em pensamento que a partir daquele momento eu seria mais fiel, mais santa, mais esforçada, mais filha, mais amiga, mais serva, mais noiva e mais tudo que eu deveria ser para estar ali com Ele. Mas aí Ele me disse que a partir do momento que eu O aceitei e escolhi fazer seu querer, eu obtive a salvação que eu não merecia e através dela eu faria coisas que eu nunca imaginei fazer antes, que o amor que Ele colocou em meu coração me levaria a amar sem medidas, a perdoar, a me doar, a servir. Mas que tudo que eu seria ou faria seria por meio Dele. Sem Ele eu ficaria oca e incapaz. Então nadei e o abracei. Senti que ali estava o verdadeiro motivo da minha existência e nunca mais eu conseguiria viver normalmente, pelo menos não no normal e padrão do mundo, mas que eu seria quem fui chamada para ser e a fazer o que eu deveria, que era ser filha amada e agir em amor.

Escrito por: Tatielle Katluryn


"As palavras que eu digo não são propriamente minhas, mas do Pai que vivem em mim." João 14:10

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