Quando Jesus me pediu para renunciar o que não me permitia aprofundar em meu propósito (Parte 1/2)

16.2.18


Quando eu pensei que já havia mudado o bastante, que estava fazendo aquilo que Deus havia me chamado para fazer, que eu estava no caminho certo e de que eu era forte para não me deixar levar por armadilhas, que não entraria em atalhos, Deus disse que queria mais de mim. Logo pensei em que partes Ele não havia tocado, o que havia sobrado de mim para abrir mão e entregar a Ele. Pois parecia que o velho ‘eu’ estava tão longe e que não tinha mais nada de quem eu era, que boa parte do egoísmo, medos, timidez, vergonha de falar Dele em algumas situações, haviam me deixado, assim não entendia como Ele ainda podia me pedir que eu desse algo que eu achei que já havia dado. Por que Deus não se satisfazia com aquilo que Ele já possuía de mim? Por que tinha que continuar olhando para mim e procurando as partes que eu escondia do mundo?

O problema é que nessa fase eu pensava que ir aos cultos sem meus pais me obrigando, convidar algum colega para ir á igreja comigo, parar de ouvir certas músicas e não ver alguns tipos de filmes já bastava. Que ser mais santa me separando de círculos sociais e não ir a lugares onde Ele não era reverenciado, estava bom e que assim meu coração já era Dele. Que ir aos ensaios do louvor, escrever mais sobre Ele do que sobre paixões adolescentes, provava que eu O amava mais que amava qualquer outro. Porém Ele começou a me mostrar que eu estava no raso. Na verdade eu estava parada na beira da praia olhando para o mar a minha frente e me perguntando por que Jesus estava andando em cima das águas me convidando não para andar ao seu lado, mas para afundar no mar junto com Ele.

Então eu enumerei tudo que havia feito por Ele e como abri mão de pessoas influenciadoras, lugares nocivos, músicas e livros que instigavam um lado que devia estar adormecido, na esperança de que Ele visse que estava fazendo tudo certo e que não precisava que eu fosse com Ele, pois ali era meu lugar e lá eu poderia servi-Lo, ama-Lo e adora-Lo. Mas Ele estendeu a mão e me disse que eu deveria aumentar minha renuncia. Foi então que Ele mergulhou na água e parecia esperar que eu O acompanhasse. E com medo botei os pés na água e comecei a nadar para o fundo. Então comecei a afundar. Na medida em que a água gelada me tocava eu começava a entender que tudo que eu havia feito não era o bastante, eu tinha que fazer mais, pois Ele merecia mais.

Foi então que comecei a ler a Bíblia todos os dias, ouvir mais louvores espirituais que falavam do que eu sentia e que O adoravam, e não só a escrever sobre Deus, mas eu escrevia e deixava os outros lerem. Comecei a passar mais tempo no quarto do que em outros lugares, pois ali era meu lugar secreto. Escolhendo assim a ausência de pessoas para me encontrar com Deus e passei a ouvi-Lo, não mais através de outras pessoas, mas diretamente Dele e senti que pequei quando procurei nas pessoas o amor que apenas Ele poderia me dar. Entendi que boa parte das minhas frustrações era causada porque eu queria depender e confiar demais nas pessoas, queria que elas fizessem por mim e me cuidassem da forma que somente Ele poderia fazer. Então o amor Dele me constrangeu. Pedi perdão por ter O buscado apenas em dias ruins, me desculpei por procura-Lo só quando queria algo e quando tinha medo.

E quando percebi meu corpo inteiro já estava dentro da água. Essa consciência de estar debaixo da água me deu pânico, então pela primeira vez tive medo de confiar e depender de Deus. Pensei que Ele poderia me deixar quando visse meus pecados que ninguém conhecia, que Ele iria me condenar pelas vezes que escolhi algo mesmo sabendo que era errado e O neguei de várias maneiras. Tive medo, mas acima do medo eu tive vergonha. Quis sair da água para me esconder, mas Jesus nadou para junto de mim e me puxou para Ele. Fui abraçada e senti que os pedaços que estavam descolados voltaram aos seus lugares de origem. Ele sussurrou em meio as bolhas que tudo que aconteceu, tudo que eu era e fiz foram perdoados por Ele, porque Cristo quando morreu na cruz tudo fora pregado ali, assim não existia mais o passado, agora eu pertencia a Ele e se eu quisesse seria uma com Ele assim como Ele era um com o Pai.  

Assim aceitei ser envolvida e perdoada. Mas Ele me soltou dizendo que não me obrigaria a afundar junto com Ele, mas que me daria orientações para segui-Lo e deixaria seu rastro na água. Eu não queria que Ele me deixasse, foi então que senti a presença da Pessoa do Espirito Santo, que estava ali comigo e em mim. Então Ele começou a falar que eu havia estabelecido um relacionamento com Jesus no dia que decidi dar horas do meu dia para encontra-Lo no meu quarto escuro e solitário, que eu havia feito certo ao falar Dele para as pessoas que sofreram como eu e que eu deveria continuar ajudando quem estava passando pelo que eu passei, porém eu tinha que ir além, tinha que continuar nadando para baixo. Ele me disse que eu tinha um propósito e precisava entendê-lo, que o deserto de dor que passei não havia sido em vão e sim para me preparar para o que estava por vir.

O Espirito Santo me disse que as palavras escritas e os tantos conselhos não eram apenas ajuda e um abraço feito na distância de quilômetros, mas era o meu propósito e que eu havia sido chamada e capacitada para aquilo, que as palavras faziam parte do meu ministério aqui na Terra. Foi então que comecei a me comparar. Eu conhecia outras pessoas que haviam sido chamadas com esse mesmo propósito e elas já faziam tanto de forma tão linda, tão profunda, que não fazia sentido eu fazer o mesmo, pois não teria o mesmo resultado. Mas Ele me disse que eu era única e assim minha essência tornaria singular o meu chamado e que minha forma de servir a Deus se expressaria de forma diferente, e que eu era necessária, que não deveria deixar a baixa autoestima, os sentimentos de inferioridade e mal estar me paralisarem.

E que tudo que eu faria era para Deus e vinha Dele, que sem Ele eu não conseguiria fazer nada, assim não era para me orgulhar e achar que sozinha faria tudo, pois eu precisava Dele para isso. E que qualquer glória e honra eram Dele e que eu deveria diminuir para Ele aparecer. Mas doeu ouvir isso, pois eu que me achava pequena teria que ser menor ainda para Ele se mostrar através de mim. Todavia, depois entendi o porquê. Eu era apenas uma torneira e Ele era a água que saia. Eu era um violino e que Ele quem tocava a música. Assim eu tinha que estar Nele para que saísse de mim a água e o som. Eu sou um galho que havia sido enxertada na enorme árvore que Ele é. Então entendi meu propósito. Finalmente senti que estava tudo indo maravilhosamente bem. Eu estava me relacionando com Deus, Jesus e o Espirito Santo praticamente todos os dias e durante longas horas, e ainda pregava por palavras escritas para os corações das pessoas que sofriam, assim parecia que nada mais eu precisava fazer.

Eu devia estar no meio da profundidade do mar, e nem estava doendo nada em mim. Parecia que meu corpo havia se acostumado com aquele ambiente e era tão bom servir a Deus que se tornou fácil, quase não demandava esforço e sacrifico meu, pois eu amava as pessoas, as ajudava, dava até dizimo na igreja, ia a quase todos os cultos e fazia até jejuns sem o pastor pedir, então o que mais Ele queria de mim? Naquele momento eu não sabia, mas depois Jesus tornou a aparecer e parecia tão feliz com quem eu havia me tornado, Ele estava aprovando minha mudança e abençoando o que eu fazia em seu nome, porém Ele disse que eu devia ir mais fundo, pois ali não era o bastante para mim, era preciso que eu saísse largando pesos para conseguir afundar mais. Acabei ficando confusa e até chateada, pois eu havia feito tanto e Ele ainda queria mais de mim, não achei justo.

Mas Jesus continuou dizendo que não era obrigatório eu segui-Lo, eu poderia continuar ali e ficar bem, feliz e satisfeita, porém Ele queria me levar para as partes do mar aonde os raios solares não chegavam, nas profundezas escuras e desconhecidas por mim, onde eu teria que novamente confiar Nele, mas agora era confiar toda a minha vida e não apenas partes dela, pois Ele queria que eu me entregasse por inteiro. Olhei para Ele e eu disse que não conseguiria, que Ele conhecia a covardia que havia em mim, que tudo que eu fiz foi difícil e ás vezes ainda era, então não tinha como alguém como eu fazer mais. Porém Ele pediu que eu aumentasse minha renúncia e abrisse mãos dos meus medos, sentimentos, pensamentos e algumas atitudes, pois eram prejudiciais e não me deixavam aprofundar no meu relacionamento com Ele. Eu fiquei desesperada.

Escrito por: Tatielle Katluryn


"As palavras que eu digo não são propriamente minhas, mas do Pai que vivem em mim." João 14:10

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5 comentários

  1. Uau! A história parece com a minha, mas na verdade a minha não chegou nem nos 25% da sua. Sabe quando vc escuta Deus te chamando, mas vc tem medo de ir lá pra ver o que é? Tipo o povo de Israel na beira do monte, que disse pra Moisés ir por eles. Só que no fundo eu sei que sou Moisés, e não o povo. E me vejo de novo diante da sarça, dizendo "Senhor, olha pra mim, eu não sei falar!". Enfim... Obrigada por compartilhar sua trajetória. Ansiosa pelo próximo texto, está sendo um encorajamento.

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    1. Tali, eu me senti muito tocada por seu comentário, pois quando citou Moisés parecia eu falando. Eu o uso bastante para se comparar a algumas atitudes minhas. Eu sei como é viver com medo daquilo que Deus tem para você, porém o medo te afasta de viver o que Ele sonhou para ti. Não é nada fácil e nem indolor dar um salto para fora da caverna. Por isso, comece no secreto. Entre você e Deus ir construindo uma relação de confiança, logo ficará forte.

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    2. Realmente, nem um pouco fácil rs. Mas amém! Estou voltando pra esse lugar especial.

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  2. Olá! Senti está lendo a expressão corporal e facial de uma pessoa desesperada. Vc transmitiu isso no seu texto, não sei se é unânime em relação aos demias escritos. Ao que me parece, faz parte do estilo de sua escrita. Contudo, senti a ausência de uma estrutura linguística, de uma forma. Desenvolver tal estrutura prenderá os leitores, dando por resultado maior prazer durante a leitura.

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    1. Kaique, agradeço a sua análise ao meu texto e por ter sido sincero. E meu texto, esse não é o único, transmitiu mesmo essa expressão de desespero, pois ele faz parte daquilo que eu narrei, uma pessoa afundando na água. E fiquei pensando em que forma linguística eu poderia me adequar, pois eu simplesmente escrevo o que sinto, além daquilo que Deus me diz, e talvez isso faça com que eu acabe fugindo dos padrões da gramática. Mas tentarei aprender mais sobre isso para que os leitores se sintam melhor ao ler. Abraço e Deus abençoe :)

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